Periperi, o bairro
O bairro de Periperi, surge em uma terra costeira banhada pelas águas calmas e quentes da Baia de Todos os Santos. Como uma pequena cidade interiorana, Periperi se destaca no contexto conturbado da moderna cidade de Salvador, preservando muitos dos aspectos e valores de outrora, tempos em que um passeio na Praça, ou uma boa conversa entre vizinhos davam a nota de todas as tardes. Localizado no vale do antigo rio “Paraguary”, “rio dos papagaios” esta enseada tranquila já era conhecida desde os tempos do descobrimento, pois fazia parte da rota costeira das embarcações que rumavam a Paripe, do tupy “parí-pe” ou seja “curral de peixes”, nome dado por indígenas que ali se fixaram. Pirí-pirí, aportuguesado para Periperi, quem em tupy designa “o junco continuado”, Paripe, deveria resumir-se a área de caça e pesca utilizada pelos ditos índios, pois, não fora comprovada em tal local a presença fixa do gentil.
Por certo, o bairro nasceu na Segunda metade do século XIX, como um simples agrupamento dos trabalhadores envolvidos na construção da linha férrea, que por questões financeiras, ali fora interrompida. Como toda “ponta de linha”, nome em que se conhece os locais onde se findam os trilhos, Periperi começou a desenvolver-se a medida em que abrigava cada vez mais trabalhadores. Muitos destes acompanhado seus familiares, fixaram-se à espera do reinício das obras da dita ferrovia, que viria a ser concluída anos mais tarde. A exuberante beleza do lugar atraia cada vez mais moradores. Por força natural, a ascendente comunidade desenvolvia-se a fim de suprir os anseios básicos de que necessita qualquer área residencial. A ativação da Leste do Brasil e a instalação definitiva da oficina, em Periperi, marcaram uma nova fase do desenvolvimento do bairro. A partir de então Periperi passou a atrair cada vez mais veranistas, que desfrutavam junto aos moradores, as belezas do lugar. Ligando-se à cidade basicamente através dos trens da Leste, que “subiam e desciam” em britânica pontualidade, Periperi mantinha-se “isolada” de Salvador, constituindo assim um núcleo de valores e costumes próprios. Poucos eram os moradores que diariamente tinham que ir além da Calçada, fosse por trabalho ou estudo. Grande parte destes eram funcionários da própria Leste, o que unia ainda mais os laços de vizinhança ou de comunidade. Basicamente todos se conheciam e mutuamente se respeitavam. Seus filhos andavam ou estudavam juntos, seus maridos trabalhavam em mesmo local ou para mesma empresa, a Leste, suas mulheres pertenciam à mesma realidade o que tornava o Subúrbio Ferroviário de Periperi uma espécie de grande família. Abastados e até famosos como Dorival Caimmy, Irmã Dulce e Jorge Amado, passaram por Periperi. Este último, em especial, narrou em seu livro “Os Velhos Marinheiros”, muitos dos aspectos naturais e humanos da aprazível vivenda. A conclusão da Avenida Luís Viana Filho, em 1970, hoje denominada Afrânio Peixoto porém, conhecida como Suburbana, transformou drasticamente a vida e aspecto não só de Periperi mais dos demais bairros ferroviários. A ocupação desordenada, ao longo das margens da Avenida, trouxe problemas diversos principalmente no que diz respeito ao saneamento básico. Grande quantidade de esgoto passou a ser lançado nas praias e rios, destruindo-os e tornando-os irreconhecíveis para aqueles que se acostumaram com a limpidez de suas águas. Embora muitas das antigas qualidades tenham sido suplantadas por problemas, Periperi, mesmo nos dias de hoje, dias em que imperam a individualidade e o desrespeito à vida humana, ainda é um bom lugar de se viver, onde ainda se pode contar com a nostalgia dos bons tempos.
Por certo, o bairro nasceu na Segunda metade do século XIX, como um simples agrupamento dos trabalhadores envolvidos na construção da linha férrea, que por questões financeiras, ali fora interrompida. Como toda “ponta de linha”, nome em que se conhece os locais onde se findam os trilhos, Periperi começou a desenvolver-se a medida em que abrigava cada vez mais trabalhadores. Muitos destes acompanhado seus familiares, fixaram-se à espera do reinício das obras da dita ferrovia, que viria a ser concluída anos mais tarde. A exuberante beleza do lugar atraia cada vez mais moradores. Por força natural, a ascendente comunidade desenvolvia-se a fim de suprir os anseios básicos de que necessita qualquer área residencial. A ativação da Leste do Brasil e a instalação definitiva da oficina, em Periperi, marcaram uma nova fase do desenvolvimento do bairro. A partir de então Periperi passou a atrair cada vez mais veranistas, que desfrutavam junto aos moradores, as belezas do lugar. Ligando-se à cidade basicamente através dos trens da Leste, que “subiam e desciam” em britânica pontualidade, Periperi mantinha-se “isolada” de Salvador, constituindo assim um núcleo de valores e costumes próprios. Poucos eram os moradores que diariamente tinham que ir além da Calçada, fosse por trabalho ou estudo. Grande parte destes eram funcionários da própria Leste, o que unia ainda mais os laços de vizinhança ou de comunidade. Basicamente todos se conheciam e mutuamente se respeitavam. Seus filhos andavam ou estudavam juntos, seus maridos trabalhavam em mesmo local ou para mesma empresa, a Leste, suas mulheres pertenciam à mesma realidade o que tornava o Subúrbio Ferroviário de Periperi uma espécie de grande família. Abastados e até famosos como Dorival Caimmy, Irmã Dulce e Jorge Amado, passaram por Periperi. Este último, em especial, narrou em seu livro “Os Velhos Marinheiros”, muitos dos aspectos naturais e humanos da aprazível vivenda. A conclusão da Avenida Luís Viana Filho, em 1970, hoje denominada Afrânio Peixoto porém, conhecida como Suburbana, transformou drasticamente a vida e aspecto não só de Periperi mais dos demais bairros ferroviários. A ocupação desordenada, ao longo das margens da Avenida, trouxe problemas diversos principalmente no que diz respeito ao saneamento básico. Grande quantidade de esgoto passou a ser lançado nas praias e rios, destruindo-os e tornando-os irreconhecíveis para aqueles que se acostumaram com a limpidez de suas águas. Embora muitas das antigas qualidades tenham sido suplantadas por problemas, Periperi, mesmo nos dias de hoje, dias em que imperam a individualidade e o desrespeito à vida humana, ainda é um bom lugar de se viver, onde ainda se pode contar com a nostalgia dos bons tempos.
